História da vida real!

7 de março de 2010

Esta é uma história real, extraída de um blog que retrata a realidade da vida de todo homossexual! O nome não foi revelado por questão de privacidade.

Eu tinha dois anos de idade e gostava de imitar Michael Jackson, quando o via dançando na TV. Era louco por ele. Saí um dia com meu pai e fiquei murmurando a música do Michael e rebolando como minha mãe. “Seu filho já nasceu boiola”, disse o amigo do meu pai que só parou de rir quando fomos embora. Não era homofobia! Ele estava apenas se expressando!

Aos quatro anos comecei a dançar Ballet no Núcleo Artístico em Belo Horizonte. Meus pais, irmão, avó e madrinha estavam nas apresentações e premiações, o restante da família e amigos não. “Isso não é coisa de homem!” – diziam eles. “Não faz essas coisas de mariquinha!”. Não era homofobia! Eles estavam apenas se expressando!

No pré-primário, a professora me colocava sempre junto das meninas, pois os meninos me batiam, e não gostavam de sentar “perto da bichinha”. Não era homofobia! Eles apenas estavam se expressando!

Na primeira série pedi à diretora para apresentar uma peça de teatro na escola. Apresentei e alguns me xingaram de “boiola”, “bicha”, etc. Meu pai foi à escola reclamar e a professora disse a ele: “tratam seu filho assim porque ele não é normal”. Não era homofobia! Eles estavam apenas se expressando!

Na quarta série um colega de sala me deu um tapa na cara e gritou: “veadinho… Essa vozinha de galinha”. Não era homofobia! Ele estava apenas se expressando!

Na quinta série, no mesmo colégio, o diretor e a pedagoga mandaram chamar minha mãe, dizendo: “Seu filho dança ballet, escreve teatro, só anda com as meninas, não joga futebol. Seu filho tá virando veado e a senhora apoia, não faz nada?”. Minha mãe me defendeu, a chamaram de louca e ela me levou embora, aos prantos. Não era homofobia! Eles estavam apenas se expressando!

Também na quinta série, participei das Olimpíadas da escola, na modalidade salto à distância. Quando você corre e pula, naturalmente seus olhos arregalam. Quando pulei, jogaram areia nos meus olhos e gritaram: “pula, bichinha”. Fiquei alguns dias com os olhos feridos. Não era homofobia! Eles estavam apenas se expressando!

Algumas mães e irmãs de alguns dos poucos amigos homens que tinha pediram a eles, na minha frente, para se afastarem de mim, pois poderiam “ficar mal falados”. Não era homofobia! Elas estavam apenas se expressando!

Entre a sexta e a oitava série me batiam de vez em quando no final da aula, me derrubavam nas aulas de educação física, alternavam meus apelidos entre “RuleBambi” e “Bailarina”, e sempre repetiam “vira homem, veado”. Não era homofobia! Eles estavam apenas se expressando!

Na oitava série eu queria dançar quadrilha. Nenhuma das meninas quis dançar comigo! elas riam e diziam: “Ah, Ru! Você tinha que ser mais homem ou dançar com homem”. Fiquei triste, e a professora de educação física disse: “eu danço com você”. Não era homofobia! Elas estavam apenas se expressando!

No segundo grau mudei de escola e lá apanhei também. A diretora me mudou de sala e os novos colegas riam, mas não me batiam. Não era homofobia! Eles estavam apenas se expressando!

Quando trabalhei de garçom junto com meu pai, fui sozinho um dia. O cara que ficou de chefe no lugar do meu pai ordenou que “carregasse sozinho os botijões. Vamos ver se ele é homem mesmo”. Não era homofobia! Ele estava apenas se expressando!

Na faculdade, um colega de turma me agrediu fisicamente, pois eu o abracei quando o vi durante o almoço. “Tá me estranhando? O que você quer?”, me disse ele. Não era homofobia! Ele estava apenas se expressando!

Formado e trabalhando em um jornal impresso em início de trajetória, meu chefe me comunicou minha demissão: “meu sócio, dono das máquinas disse que não quer veado no jornal”. Não era homofobia! Ele estava apenas se expressando!

Pouco depois uma amiga convidou a mim e nosso grupo de amigos para a festa da irmã. Todos ganharam dois convites. Eu ganhei só um. Quando pedi o segundo convite, ela me disse: “Ru, é uma festa de família! Não fica bem se você for acompanhado”. Não era homofobia! Ela e a família dela estavam apenas se expressando!

Certa vez, na Savassi, região nobre de Belo Horizonte; estava sentado na praça com meu companheiro; um cara passou e cuspiu em nós. “Que nojo!” – ele disse. Fomos defendidos por um policial. Não era homofobia! Ele estava apenas se expressando!

Em 2008 escrevi sobre o preconceito contra gays e divulguei o texto no Orkut. Uma comunidade dita católica contra “homofacistas” (como alguns chamam os gays anti-homofóbicos) fez uma série de denúncias contra meu perfil ao Google, dizendo ter conteúdo impróprio… Me perseguiram e ameaçaram virtualmente. Tive que criar outra conta no Orkut. Não era homofobia! eles estavam apenas se expressando!

São alguns dos tristes trechos dos quais me recordo. Já fui e sou desacreditado, oprimido e violentado verbal e fisicamente por pessoas que nunca esconderam o motivo para tal: eu ser gay. Mas não se preocupe! Não vou me fazer de vítima, não vou culpar a sociedade ou algum participante bronzeado, prateado ou dourado do Big Brother Brasil. Não, não era homofobia… Nunca é! Eles sempre estavam e estão apenas se expressando. E eu também!


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